Todo roteiro de vídeo é mais longo do que parece. Você conta as palavras, divide por cento e cinquenta e chega a um número redondo, limpo, fácil de colocar no cronograma. Aí você grava, e a peça que existia como dois minutos no papel volta da ilha de edição com três e meio, e alguém pergunta o que aconteceu.
A conta não está errada, ela só enxerga pouco. A duração de um roteiro de vídeo é a soma do ritmo em que a pessoa realmente fala, das pausas que fazem a locução soar humana, dos segundos em que o B-roll segura a história sem narração nenhuma e do texto na tela que o espectador precisa de tempo para ler. O papel mede a fala. O vídeo é feito de tudo isso.
Um "vídeo de dois minutos" quase nunca entrega dois minutos: ele volta da aprovação com uma frase a mais, a vinheta cresce, e lá se foi o tempo prometido. Então use isto aqui como estimativa de planejamento, não como regra. Cole o seu roteiro ou parta da duração que você precisa entregar. E quando quiser a resposta de verdade, ensaie no teleprompter da página e cronometre a leitura.
Um vídeo com duração limitada existe quando alguém pagou por aquele espaço: comercial de TV, mídia paga, abertura de evento com hora para começar e acabar. Fora isso, convenhamos, ninguém está contando os segundos do seu vídeo na internet. Mesmo assim, tem muita história boa sendo espremida em trinta segundos só porque trinta parece um número bonito. Conte a história inteira primeiro, veja quanto tempo ela pede, e só depois enxugue.
Cortar é fácil, e o vídeo quase sempre fica melhor depois do corte. Difícil é esticar roteiro que nasceu curto, porque o espectador sente na hora. Então escreva com folga: uns trinta segundos a mais de material, e mais que isso se o vídeo ainda vai passar por aprovação. Quando alguém pedir para tirar uma frase, e alguém sempre pede, é essa folga que segura o seu corte.
Tudo começa pelo ritmo da fala. Estudos brasileiros de fonoaudiologia apontam que um adulto fala, em média, umas 130 palavras por minuto. A locução gira em torno disso: documentário perto de 120, institucional na faixa dos 130, talking head a 145 e anúncio de 165 para cima. Escolher o ritmo errado derruba qualquer estimativa.
Depois a calculadora soma o que não está escrito no papel. Ninguém fala feito robô: a respiração e as pausas sozinhas já esticam a leitura em uns oito por cento. Some a isso B-roll sem narração, texto na tela e vinheta, e o seu vídeo de dois minutos virou dois e meio sem ninguém perceber onde.
No fim, o resultado aparece como uma faixa, e não um número exato, porque cada pessoa lê no seu próprio tempo. Quer trocar a estimativa pelo seu número de verdade? Clique em Ensaiar e cronometrar, leia o roteiro em voz alta e use o ritmo que sair dali. Nada é gravado e nada sai do seu navegador.
Gravando mais do que precisa e cortando até chegar lá. Uns trinta segundos de material a mais já dão uma folga boa, e vale aumentar essa margem se o vídeo ainda vai passar por aprovação de cliente ou de stakeholders.
Cortar deixa o vídeo mais enxuto, esticar deixa o remendo aparecendo. E quando alguém pedir para tirar uma frase na última hora, e alguém sempre pede, é essa folga que evita um vídeo curto demais sem nada para colocar no lugar.
Só quando alguém pagou por aquele espaço: comercial de TV, mídia paga, abertura de evento com hora marcada. Nesses casos a duração é fixa e não se discute. No resto da internet, ninguém está de cronômetro na mão.
Então deixe a história mandar. Espremer uma boa ideia em trinta segundos só porque trinta parece um número bonito costuma machucar o vídeo sem necessidade. Conte a história inteira, veja quanto tempo ela pede, e só depois enxugue.
Por volta de 145 palavras num ritmo de conversa natural. Numa narração mais formal esse número cai para perto de 120, num institucional fica na faixa das 130, e numa leitura de anúncio sobe até umas 165.
Antes de escrever, desconte os segundos que já têm dono: B-roll sem narração, texto na tela e vinheta. Eles saem do tempo de fala, então a conta de palavras encolhe junto.
Num ritmo institucional de 130 palavras por minuto, contando as pausas naturais, uns 4 minutos e 10. Num ritmo de conversa, cai para perto de 3 minutos e 45. E numa narração pausada de documentário, bate nos 4 minutos e meio.
Entre 120 e 165, dependendo do estilo da locução. Estudos brasileiros de fonoaudiologia apontam que um adulto fala, em média, umas 130 palavras por minuto, e a locução profissional trabalha em volta desse número.
Na prática: documentário e narração formal perto de 120, institucional na faixa dos 130, talking head conversado a 145, e anúncio ou vídeo de social de 165 para cima.
Só quando ele roda sem narração. B-roll por baixo da locução não soma um segundo, porque a fala continua correndo. O que ele te dá é espaço: a leitura desacelera, a frase pousa, o vídeo respira.
Já o B-roll sem narração nenhuma é outra conversa. Cada segundo dele entra direto na duração final, e é exatamente ele que você conta aqui na calculadora.
Porque o roteiro só mede a fala. O vídeo pronto tem respiração, pausa, B-roll sem narração, texto na tela que precisa de tempo de leitura e vinheta de abertura e encerramento. Somando tudo, é comum o vídeo crescer de 10 a 30 por cento em relação à conta original.
Sou Gustavo Fonseca, Senior Content Lead. Trabalho com vídeo e criação de conteúdo há mais de vinte anos, hoje a partir de Vancouver, no Canadá.
Sou formado em Cinema e Vídeo pela UFSCar, com pós-graduação em Gestão Estratégica de Negócios pelo Mackenzie, certificação em Digital Marketing Strategy pela Harvard Business School e uma sequência de formações em IA pela UBC, a mais recente delas em AI Product Management.
Quer conhecer mais do meu trabalho? Está tudo em thegusta.com.
É só o texto subindo e o cronômetro. Não pedimos acesso à sua câmera nem ao microfone, e nada sai do seu navegador. Leia em voz alta, como se já estivesse gravando, e pare quando chegar ao fim.